Os adolescentes podem identificar até 90% da desinformação climática nas redes sociais graças a um modelo educativo pioneiro
Após dois anos de cooperação entre Espanha, Portugal, França e Grécia, a iniciativa Erasmus+, que termina a 28 de junho, desenvolveu um sistema de verificação de informação climática para ser aplicado com alunos do ensino secundário, que demonstrou uma fiabilidade de cerca de 90%. A investigação revela que a exposição a conteúdos falsos sobre alterações climáticas continua a ser uma realidade no sul da Europa: 27% dos conteúdos identificados e analisados em Portugal eram falsos, face a 20% em Espanha, 19% na Grécia e 8% em França.
Os adolescentes podem tornar-se agentes eficazes no combate à desinformação climática. É o que demonstra o projeto europe SchoolFan (Escolas Contra as Notícias Falsas por um Futuro Mais Responsável), financiado pelo programa Erasmus+, cujos resultados finais confirmam que os estudantes são capazes de identificar e classificar corretamente entre 80% e 90% dos conteúdos falsos sobre alterações climáticas que circulam nas redes sociais, após receberem formação específica.
A iniciativa, desenvolvida ao longo de dois anos por universidades e estabelecimentos de ensino de Espanha, Portugal, França e Grécia, termina oficialmente no próximo dia 28 de junho, deixando como principais resultados uma formação de docentes, recursos educativos e um modelo educativo baseado na ciência cidadã, na literacia mediática e no pensamento crítico.
Os dados obtidos durante a fase de implementação do projeto mostram que os jovens não só estão expostos à desinformação climática, como também podem adquirir as competências necessárias para a detetar e analisar de forma rigorosa.
A desinformação climática: uma realidade quotidiana para os jovens
Durante o projeto, mais de 350 estudantes do ensino secundário analisaram conteúdos relacionados com as alterações climáticas divulgados em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube, aplicando protocolos de verificação desenvolvidos pelo consórcio.
Os resultados permitiram confirmar que a exposição a conteúdos falsos continua a ser uma realidade no ambiente digital europeu. A análise identificou 27% de conteúdos falsos em Portugal, 20% em Espanha e 19% na Grécia.
No entanto, após concluírem o programa de formação, os estudantes revelaram-se capazes de classificar corretamente entre 80% e 90% dos conteúdos analisados, demonstrando o enorme potencial da educação para enfrentar a desinformação.
Um modelo educativo replicável na Europa
A iniciativa envolveu mais de 350 estudantes, 93 professores e 32 turmas do ensino secundário dos quatro países parceiros.
O projeto foi desenvolvido pela Universidade de Aveiro, pela Universidade Rey Juan Carlos, pela Universidade NOVA de Lisboa, pela Universidade Nacional e Kapodistríaca de Atenas e pela organização francesa Cercle FSER.
Como resultado do projeto, o SchoolFan disponibiliza à comunidade educativa, uma formação docentes, um guia de boas práticas e diversos recursos educativos digitais em cinco línguas, facilitando a integração da literacia mediática e climática nos estabelecimentos de ensino europeus.


